
Quando eu ingressei na faculdade de Direito em meados de 2002, havia todo um planejamento traçado em minha mente. Projeções minuciosamente calculadas para que ao final do 5º ano de faculdade eu pudesse ser o orgulho da família, dos amigos pessoais, dos amigos da (ex) namorada e da própria (ex) namorada. Aluno dedicado, boas notas, ausente sempre! Orgulhoso... Trabalhos em equipe eu preferia fazer sozinho. Acreditava que do meu perfeccionismo somente eu poderia cuidar. No currículo acadêmico estágios voluntários e remunerados. Dentre eles: OAB/AL, Defensoria Pública, Fórum, Tribunal de Justiça, Corregedoria da Fazenda e escritório de advocacia. Parece impecável! Mas faltava o mais importante: o sentido. Não fazia sentido! Não havia uma razão. Havia sim um motivo superficial que não iria durar tempo o suficiente para que os planos pudessem ser concretizados. E quando tudo desmoronou de uma vez, ficou claro que não podemos lutar contra aquilo que nós somos na essência.
Para enfrentarmos as dificuldades de um casamento, por exemplo... Precisamos estar com alguém que realmente amamos. Da mesma forma é a vida profissional. Para nos destacarmos tanto na vida acadêmica, como na pós-acadêmica, precisamos ser aquilo que realmente a nossa alma diz para sermos. Pairava sobre mim os termos advogado de porta de cadeia ou advogado de porta de OAB... Termos esses que são sinônimos de profissionais que não obtiveram um destaque na carreira ou que não conseguiram um espaço na área devido aquilo que eu considero de “cartel” de escritórios de advocacia ou ainda por serem meramente profissionais sem qualificação, mas não cabe a mim tecer críticas sobre este mérito. Contudo, eu me via como um profissional assim: medíocre. Não era esse o futuro que eu tinha em mente. Não era esse adjetivo que eu gostaria de ter relacionado ao meu nome.
Precisei de um tempo inerte. Desplugado. Desligado. Sem sinal. A partir daí pude fazer um levantamento do tempo perdido; do que aprendi com esse tempo; do que eu deixei de fazer; do que eu poderia fazer e finalmente decidir o que fazer! Webdesign era a área da vez. Fiz o curso técnico em webdesign. Se eu fiz algum site? Nenhum... Mas me identifiquei com a área de design gráfico e consigo alguns serviços como designer. Adoro criar. Tudo que possa envolver um processo de criação eu participo. Sou um projeto de escritor e compositor. Tenho algumas músicas prontas e uns dois livros pela metade. Não torço para seleção brasileira de futebol em dias de jogo, pois quando torço o Brasil perde (pode chamar de pé frio mesmo). E o que isso tem haver com o assunto? É... nada!!!
Após tudo isso, fui tomado pela inquietude que toma conta de qualquer ser humano que tenha o mínimo de coerência no que diz respeito à percepção realidade. A minha era de desemprego e com os estudos parados! Esqueci de dizer que não cheguei a concluir o curso de direito. No 7º período tive a coragem (e não a idiotice) de assumir as rédeas da minha vida, mesmo que isso fosse causar uma inquietação e um certo medo. Mas era preciso acertar dessa vez. Foi necessário um planejamento ainda mais detalhado e direcionado para que tudo corresse realmente como eu imaginava. Uma verdadeira estratégia foi montada. Foi assim que o marketing passou a fazer parte da minha vida.
Tratava-se de mais um vestibular. Era respirar fundo e seguir em frente. Gestão em Marketing, esse era o curso escolhido. Marketing: estratégias, mercadologia, estudos, empresas, oportunidades... Apesar de saber onde estava pisando, as respostas só viriam com o tempo. Até que enfim veio a redenção.
Não existe sucesso sem empenho... Não existe sonho realizado sem barreiras... Não existe um profissional de sucesso sem que ele tenha empenho naquilo que temporariamente ainda é um sonho. Particularmente, apesar de ter vivido muita coisa, de ter presenciado muita coisa... Eu ainda não tinha experimentado a sensação de saber para onde eu realmente estava indo. Era costume meu sempre fazer a citação de uma música daquele que para mim é o maior poeta do rock nacional: Renato Russo. Ele dizia: “Não sei onde estou indo, só sei que não estou perdido.” Essa parte da música Só Por Hoje, era a tradução literária da minha situação, que até então eu tinha como sobre controle. Não importavam os meios se os fins fossem nobres. Mas e se os meios não fossem nobres o suficiente? Como lidar com artimanhas que pudessem confrontar com princípios morais e éticos. O que eu quero dizer é que mais importante que saber para onde estar indo, onde se quer chegar, é alcançar o objetivo consciente de que você o merece.
Com o passar de mais algum tempo e após perceber que eu não precisaria necessariamente estar perdido para saber onde ir, bastava escolher bem por onde começar, tudo passou a fluir de forma natural. Mais importante que aproveitar as oportunidades que surgem, é também criá-las.
E é nessa fase madura da minha vida que entendo melhor tudo o que se passa ao meu redor; que aceito melhor as dificuldades, que devem ser vistas como benéficas, pois são fontes de melhoramentos; mais perceptível às minha limitações e infinitamente capaz de vencê-las. E sempre que eu escuto: Se é de batalhas que se vive a vida, TENTE OUTRA VEZ! (Raul Seixas), eu lembro de que na verdade eu nunca desisti de nada, apenas resolvi trilhar meu caminho da forma mais serena e desafiadora possível. Por mim e para mim, eu recomeço a cada dia, olhando sempre para a mesma direção, sabendo sempre para onde ir; qual caminho seguir; a quem todos os dias e todas as noites agradecer; a importância da família, dos amigos... A necessidade de nunca esquecer a minha essência, de quem eu sou de onde eu vim e para onde eu vou. E hoje, sabendo que não existe “estaca zero” e sempre um recomeço, eu faço das minhas metas a razão para estar aqui escrevendo, lendo algo ou estudando, para não ser, nunca, aquele profissional medíocre do início da história.

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